Batman – Uma “breve” trajetória (escrita por um Batmaníaco)


Olá, pessoal... Todos sabem que eu sou fã e colecionador de quadrinhos. E o que muitos podem supor: meu personagem preferido é o Batman. E o que poucos sabem: Tenho uma tatuagem no braço esquerdo com o logo do Morcego em tribal...
Ou isso me define como uma pessoa com sérios distúrbios mentais (o que eu nunca neguei ser) ou me define como um fã incondicional do Homem-Morcego mesmo...
Sendo assim, para mim foi uma honra escrever esse dossiê do Batman, sua trajetória e principais fatos importantes. Espero que gostem... E boa leitura...

Início

Irei começar este dossiê falando sobre a trajetória do personagem nos quadrinhos, desde sua criação até os dias de hoje. Na sequência, falarei um pouco sobre as publicações no Brasil, sua trajetória no cinema, etc...

Batman foi criado pela dupla Bob Kane e Bill Finger, tendo estreado em maio de 1939 na revista Detective Comics #27 numa história com 8 páginas chamada “O caso do sindicato dos químicos”. Na época, o personagem era chamado de “Bat-Man”. A história é extremamente simples e nos apresenta um homem que veste uma fantasia de morcego e combate o crime. Mais simplista impossível. Não esqueçam que o Batman foi “encomendado” após o sucesso de Superman um ano antes.


A edição #29 de Detective Comics trouxe o primeiro vilão recorrente do Batman: Dr.Morte e apenas na edição #33, foi mostrada a origem do homem-morcego.

Dr. Hugo Strange (que foi representado em live action no seriado televisivo Gotham com o ator B.D. Wong), surgiu na edição #36.
As histórias do Batman eram carregadas em tons sombrios e violentos, então os editores da DC encomendaram a Kane, (que contou com o auxílio de Jerry Robinson) uma aliviada nas histórias. Então na edição #38, de 1940, surgiu o sidekick mais famoso de todos os tempos: Robin.
 

O grande sucesso da revista deu a Batman uma edição solo denominada “Batman” com 40 páginas e sua periodicidade era trimestral. Esta publicação ainda trouxe a primeira aparição de dois dos personagens mais famosos da galeria de vilões: Mulher-Gato e Coringa.
Uma vez que o personagem fazia tanto sucesso, o estúdio de Kane foi ampliado e contratado novos artistas como Charles Paris, Sheldon Moldoff, George Roussos e Dick Sprang.
Em maio de 1941, foi criada a revista World Finnest, que além de Batman, também tinha histórias de Superman.

A cidade fictícia Gotham City surgiu em Batman #04(1941) e em Detective Comics #48 surgiram a mansão Wayne e o Batmóvel.
Em Outubro de 1943, surgiram as famosas tiras diárias para Jornais.
Uma outra curiosidade: devido o sucesso do personagem, foi necessário criar alguns coadjuvantes; dentre eles o mordomo Alfred, que começou a fazer suas aparições no seriado no cinema.  A imagem do ator William Austin serviu como base principal para a imagem do personagem nos quadrinhos.
O conceito da Batcaverna inclusive surgiu no seriado de 1943.
Nos anos 40 também surgiram personagens como Pinguim, Charada, Duas Caras, Espantalho e Cara de Barro.
Em 1951, na revista Detective Comics #168 vimos pela primeira vez a origem do Coringa contando a famosa história do Capuz Vermelho (escrita por Bill Finger e desenhada por Sheldon Moldoff e George Roussos).
O primeiro encontro oficial nas HQ’s entre Batman e Superman ocorreu em 1952, na revista Superman #76 (mesmo eles estando juntos nas capas anteriormente).

Os fatos descritos acima servem apenas para demonstrar como alguns ícones na mitologia do Batman, que são comuns para nós hoje, são muito mais antigos do que se imagina. O Batman que conhecemos hoje possui uma base histórica impressionante, com elementos tão antigos quanto o personagem.


A Sedução do Inocente

Em 1954, as vendas de quadrinhos do Batman (e diversos outros personagens) despencaram devido à publicação do Livro “A Sedução do Inocente” de Fredric Wertham, que acusava a dupla dinâmica de ser um casal homossexual, o que resultaria na pior acusação: que Batman praticava pedofilia com seu parceiro mirim. Daí surgiu os motivos de piadas em cima da dupla dinâmica, sempre questionando a sexualidade do homem-morcego.
Se fosse publicado hoje, talvez o livro não tivesse tido tanta repercussão, mas estamos falando dos anos 50. Então a publicação deste livro fez com que os quadrinhos precisassem de uma reformulação nos tons de suas histórias.

O Morcego ressurge

Então, foi criado o Comic Code Authority, que impedia sexo e violência explícitos nas histórias em quadrinhos. Resultado: a Mulher Gato foi abolida das histórias em quadrinhos de 1954 a 1966. E devido à aparência de Duas Caras, o mesmo desapareceu das revistas do Homem Morcego por longos 17 anos.

As histórias pararam de ser centradas em tons policiais e viraram contos de ficção científica. Em 1956(Detective Comics #233) foi criada a Batwoman para ser o interesse romântico de Bruce Wayne. Para Robin, Batgirl, em (Batman #139).
 

Em 1964, devido ao fim do contrato com Kane, uma nova equipe passou a produzir as histórias do Batman. Julius Schwartz e sua equipe formada por John Broome, Carmine Infantino, Gardner Fox, Gil Kane e Murphy Anderson.
Em 1970, na revista Batman #222, a dupla dinâmica encontra os Beatles.(sim, isso realmente aconteceu)

A nova equipe também definiu um novo visual para Batman, por exemplo, aumentando as orelhas da máscara e dando a famosa elipse amarela no peito do personagem, criando assim o mais famoso símbolo do vigilante mascarado.

A série de TV, de 1966 a 1968, além de prejudicar reputação do personagem precisou ser copiada nas histórias em quadrinhos, para atrair o público do seriado. Ou seja, o clima infantil nas histórias precisou voltar, para desespero dos fãs do Batman mais sério.
Uma vez que o seriado foi cancelado e a DC passou a perder público para a Marvel Comics, as vendas caíram outra vez. O interessante é que a personagem Batgirl (Bárbara Gordon) surgiu no seriado de TV e foi oficialmente incorporada ás HQs.
Em 1968, o editor Julius Schwartz conseguiu trazer um tom mais sério para o personagem trazendo Neal Adams para desenhar o personagem e Dennis O’Neil nos roteiros, surgindo assim a dupla mais famosa a trabalhar com o personagem.
Era a fase em que Batman voltou a combater o crime num tom mais urbano e resolvendo mistérios como o detetive que sempre foi. Outra consequência foi o total afastamento do Robin das histórias, este voltando a participar (e liderar) a Turma Titã (futuramente conhecidos como Novos Titãs).

Infelizmente a dupla O´Neil e Adams ficaram apenas até 1973.
Nos anos 70, surgiram as idéias para o Beco do Crime e o Asilo Arkham, e os personagens Dra. Leslie Thompkins e Lucius Fox.
No final dos anos 70 e começo dos anos 80, as vendas voltaram a cair. Mas vale mencionar que nessa época, surgiram Os renegados (1983); equipe liderada por Batman, e o segundo Robin, Jason Todd (1983). No mesmo ano, tivemos a primeira aparição do Crocodilo.


Nessa mesma época, o título Novos Titãs foi um imenso sucesso, com Dick Grayson assumindo a identidade de Asa Noturna. O título rivalizava nas vendas com os X-men da Marvel.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Em 1986 foi publicada The Dark Knight Returns (O Cavaleiro das Trevas, no Brasil), escrita e desenhada por Frank Miller. É considerada uma das melhores histórias do Batman, além de ser também considerada uma das melhores obras em quadrinhos de todos os tempos. Podemos considerar essa história como um divisor na trajetória do personagem nas HQ’s.


Miller foi contratado novamente para escrever a nova origem do personagem (após a saga Crise nas Infinitas Terras). Então surgiu mais uma obra prima dos quadrinhos. Entre Batman 404 e 407, foi lançada a história Batman: Ano Um, que contava a origem definitiva do personagem.

Mike W. Barr deu sequência a essa história, com Batman Ano Dois (desenhada por Alan Davis e Todd McFarlane), publicada em Detective Comics 575 a 578(1987).
Mesmo não atingindo o sucesso de Ano Um, inspirou a ótima animação: A Máscara do Fantasma. 
Sim, ainda teve Batman Ano Três, mas mais voltada para a origem do primeiro Robin, Dick Grayson.
Além de Ano Dois, W.Barr ainda presenteou os leitores com “O Filho do Demônio”, que mesmo não sendo reconhecido pela DC como parte da cronologia oficial do personagem, muitos consideram a história como o nascimento de Damian, que mais tarde viria a se tornar um dos Robins mais queridos dos fãs.

Em 1988, Alan Moore presenteia os leitores com A Piada Mortal, em que é mostrada a origem do Coringa desde os dias de comediante de stand up fracassado a líder (mesmo que contra sua vontade) de uma gangue com a alcunha de Capuz Vermelho.
Nesta mesma história, a filha do comissário Gordon, Bárbara, leva um tiro na espinha, ficando paralítica. Vale citar que o próprio Moore não gostou de ter escrito o roteiro (?!).

Logo após, em 1989, mais uma excelente história com roteiro de Grant Morrison e arte de Dave McKean: Asilo Arkham. Esta é a famosa HQ em que o Coringa apalpa a bunda do Batman (!?).

Sim, os anos 80 foram bons com o Homem Morcego. Não bastasse isso, em 1989, comemorando 50 anos do personagem, é lançado nos cinemas o filme Batman, de Tim Burton com Michael Keaton e Jack Nicholson.
Este filme é a 10ª maior bilheteria de um filme baseado em super-heróis em todos os tempos.
Pouco antes de o filme ser um sucesso de bilheteria, entre Batman 426 e 429, Jim Starlim e Jim Aparo criaram o arco Morte em Família, culminando na morte do segundo Robin, Jason Todd. Inclusive foi criado uma espécie de 0800 para definir se o personagem realmente morreria. O resultado todos sabemos.
(para aqueles hereges que se dizem fãs de Batman, saibam que o Robin morre pelas mãos do Coringa com um pé de cabra)
Artistas famosos começaram a escrever as histórias do Batman, dentre eles, John Byrne (Batman 433 a 435), Sam Hamm (o roteirista de Batman – O Filme), Dennis Cowan(Detective Comics 598 a 600), Alan Grant, Norm Breyfogle e Marv Wolfman.
Este último criou no final dos anos 80 e começo dos 90, o personagem Timothy Drake, o novo parceiro do vigilante.


A queda do Morcego

Se os anos 80 foram bons para o Batman, os anos 90 não começaram muito bem.
Mesmo com a popularidade do personagem aumentando graças ao lançamento de Batman – O Retorno nos cinemas (1992) e também ao desenho Batman – The Animated Series (cujas histórias eram bem fiéis ás HQ’s), as vendas de HQ’s sofreram nova queda (não somente do Batman, mas de todos os personagens da DC).
A DC então optou por atrair novos e antigos fãs com eventos grandiosos e impactantes.
Começou com “A Morte do Superman” em 1992 (na mesma época, Lanterna Verde vira um vilão e Aquaman tem a mão devorada).
Em 1993, foi a vez do Batman, com a saga “A Queda do Morcego”, introduzindo o vilão Bane, que quebra a coluna de Batman e assume o comando do submundo do crime de Gotham. Nem é preciso mencionar que essa saga inspirou o último filme do Homem Morcego, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, finalizando a “Trilogia Nolan”.

Logo Bruce Wayne escolhe Jean Paul Valley, para ser o novo Batman. Azrael fez sua primeira aparição na mini escrita por Dennis O’Neil e arte de Joe Quesada intitulada “A Espada de Azrael”.
Mas o novo Batman é violento ao extremo, expulsa Robin da Batcaverna e cria um novo uniforme mais parecido com uma armadura. Mesmo tendo derrotado Bane, ainda não é um Batman digno. Claro que Bruce Wayne se recupera, derrota Azrael e retorna como Batman.
Ainda assim, não se sente pronto ainda para voltar a combater o crime. Dick Grayson assume temporariamente o manto no arco “Filho Pródigo”.
(aqui vai um comentário pessoal: o novo uniforme de Azrael como Batman é um dos que eu mais gosto nas HQ’s)

Bruce retorna, e usa um novo uniforme totalmente preto.
Entre 1995 e 1998, Kelly Jones vira a nova desenhista com uma arte um pouco mais gótica.
Chuck Dixon assumia o roteiro e escreveu os arcos Contágio, Terremoto e Terra de Ninguém. Além disso, produziu a graphic Novel Advogado do Diabo, e lançou a revista solo do Robin (Tim Drake).

Entre 1996 e 1999 foram lançados O Longo Dia das Bruxas e Vitória Sombria, ambas de Jeph Loeb e Tim Sale.
Também foi a época de crossovers, com destaque para Batman & Capitão América de John Byrne, os encontros com Justiceiro de Chuck Dixon e John Romita Jr. e dois encontros com o Homem-Aranha, de Dixon e Mark Bagley e outro por J.M. DeMatteis e Graham Nolan.
Também ocorreu o encontro com Spawn, com roteiro de Frank Miller e desenhos de Todd McFarlane.


No cinema as coisas já não andavam muito bem. Ambos os filmes de Joel Schumacher sofreram nas bilheterias e nas opiniões de críticos.
Batman & Robin sempre estão no “Top 10” de piores filmes baseados em quadrinhos.

Felizmente a série animada além de fazer enorme sucesso, deu origem aos desenhos do Superman e Liga da Justiça. Falando em Liga da Justiça, nos quadrinhos, passava por uma de suas melhores fases, pois em 1996, Grant Morrison e Howard Potter reformularam o conceito da equipe, trazendo a formação que é considerada por muitos a melhor até hoje: Superman, Batman, Mulher Maravilha, Caçador de Marte, Flash e Lanterna Verde. Batman tinha um papel de destaque na equipe como estrategista supremo.
Ao final da saga Terra de Ninguém fomos apresentados ao Batsquad.

A nova Era

No começo de 2000, dois fatos importantes na trajetória do Homem Morcego. Foi o começo da Saga Bruce Wayne: Fugitivo, onde ele é acusado de matar Vesper Fairchild, uma de suas ex-namoradas.  Também foi o início da série de Rucka e Brubaker, Gotham Central, que é focada nos policiais de Gotham City com aparições do Homem Morcego.



Entre 2002 e 2003, foi publicada nas HQ’s do Batman uma de suas melhores histórias: "Silêncio", de Jeph Loeb e desenhado por Jim Lee.

A seguir, temos “Jogos de Guerra”, de Judd Winick, que introduziu o vilão Máscara Negra. Também tivemos “A Volta do Capuz Vermelho”, que na verdade era a nova identidade de Jason Todd, que voltou á vida na saga Crise Infinita.

Nos cinemas, Batman voltava a brilhar com Batman Begins (2005) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), suas melhores adaptações até o momento, atingindo UM BILHÃO de lucro.
Nos quadrinhos, em 2006, Grant Morrison e Andy Kubert assumiram as histórias do Batman, com grandes reviravoltas na carreira do vigilante: Começando pela introdução de Damian Wayne, filho de Bruce e Talia Al Ghul. Posteriormente como mencionamos, se tornou um dos melhores Robins até hoje.
Na sequência, temos a saga R.I.P. (Descanse em Paz), em que Batman é dado como morto.
 

Claro que Batman sobrevive...
Mas morre de novo na saga Crise Final,nas mãos de Darkseid.
Mesmo sabendo que inevitavelmente Bruce Wayne iria retornar dos mortos, inicia-se uma fase interessante de uma nova dupla dinâmica formada por Dick Grayson e Damian Wayne como Batman e Robin. A fase foi bastante elogiada e Dick Grayson recebe o título de “Personagem que realmente poderia substituir o Bruce Wayne caso sua morte fosse definitiva”.
  
Após retornar dos mortos, Bruce Wayne assume que sempre financiou as operações do Batman, iniciando a fase “Corporação Batman”.
Tal fase estava atingindo até certo sucesso, mas em Agosto de 2011, foi interrompida devido o reboot que veio a ser conhecido como “The New 52” (Novos 52).

Morrison assumiu a nova franquia do Superman e Tony Daniel, David Finch,Scott Snyder e Greg Capullo formaram a nova equipe a assumir as revistas do Batman.

De lá para cá, vale mencionar que excelentes histórias foram feitas, como “A Corte das Corujas”, “Morte da Família” e “Ano Zero”.



Resta saber o que virá para a o título do Homem Morcego com o anúncio de mais um reboot que a DC afirma que não é um reboot, “Rebirth”.

Longa vida ao Homem Morcego.
  
As publicações no Brasil

Início da Batmania


O personagem surgiu em 1939 e já em 1940, começou a ser publicado no Brasil pelas revistas Gibi, Lobinho e Globinho Juvenil. Aqui ele chegou a ser chamado de Morcego Negro, e seu alter ego, Bruno Miller (lembrem que Peter Parker era Pedro Prado).
Em 1947, Batman estreou em uma revista regular, da editora Ebal, Superman 01.
E em 1953, ganhou revista própria: Batman, com quatro séries: Série 1(1953-1961-100 revistas), Série 2(1961-1969-100 revistas), Série 3(1969-1977-89 revistas) e a Série 4(1977-1979-33 revistas). Também tinha o Almanaque Superman & Batman e até mesmo o Almanaque do Superman trazia histórias do Homem Morcego, entre 1950 e 1982.
Em 1969, Batman em Cores, com 67 números entre 1969 e 1976.
Ainda nos anos 70, devido à queda nas vendas nos E.U.A. e concorrência da Marvel Comics, a Ebal adotou o famoso formatinho na segunda série da revista em cores, entre 1976 e 1983 com 70 edições.

Editora Abril
Logo após, a editora Ebal vendeu os direitos de publicação dos personagens da DC para a Editora Abril, que em 1984, lançou a sua primeira série do Batman, que durou apenas 10 números.
Batman então passou a ser publicado na revista Superamigos e ganhou sue segunda série pela editora Abril, que durou 16 números, entre 1987 e 1988. Nessa série foram publicados “Ano Um” ( Frank Miller e David Mazzucchelli) e “Ano Dois”( Mike W. Barr, Alan Davies e Todd McFarlane).
Devido à popularidade do personagem, em 1990, foi lançado (diferente de outros títulos da Abril) o formato americano da revista. Esta seria a 3ª série do número 0 ao 30 (1990-1992), com histórias mais sérias de Alan Grant e Norm Breyfogle e de Marv Wolfman e Jim Aparo. A série também não durou e Batman passou a aparecer nas revistas dos Novos Titãs .
Na mesma época, foi lançada a edição especial em formato americano “Um Conto de Batman - Gotham City 1889”, um conto no estilo túnel do tempo que mostrava um Batman no final do século XIX.
Logo após se deu início á série em quadrinhos “Um Conto de Batman”, que contou com 16 minisséries (52 edições), apresentando histórias do início da carreira do Homem Morcego, dentre elas podemos destacar “Shaman”(primeira dessa série em 1991), Ghotic”, “Acossado”, “Veneno”,”De Volta à Sanidade”, “Faces” e “Coma”(última dessa série em 1997).


Em 1994, a Abril lançou Liga da Justiça e Batman (28 edições).
Paralelamente era publicada a 4ª série da Revista Batman (19 edições), ambas trazendo histórias da saga “A Queda do Morcego”. Estas revistas foram publicadas entre 1995 e 1996 .


Após o evento “Zero Hora” Batman ganhou sua 5ª série pela Editora Abril e Liga da Justiça e Batman foi substituída por Batman: Vigilantes de Gotham. Ambas séries tiveram 46 edições entre 1996 e 2000.
Logo após, a Abril resolveu abandonar o formatinho e lançou a Linha Premium, o que fez que as revistas que antes custavam R$ 2,50 passassem a custar R$ 9,90.
Obviamente devido o preço elevado, a 6ª série do personagem nesse formato durou até o nº 23 (2000 a 2002), se encerrando com o arco “Terra de Ninguém”.
As baixas vendas resultaram na 7ª série de Batman. Durou apenas 5 edições.
Em 2002, a editora Abril deixou de publicar quadrinhos de super-heróis.

Panini

A Panini assumiu as revistas da DC e Marvel no Brasil.
Lançou sua primeira série do Batman em 2003. Finalmente uma publicação do Batman no Brasil (desde 1969) atingiou o nº 100 em 2009.
Nesse período publicou Silêncio, a fase de Grant Morrisson entre outros.
A 1ª série da Panini durou até o nº 115, em maio de 2012 e em Junho do mesmo ano, com a reformulação da DC, “Os Novos 52” estreou a segunda série que já atingiu o nº 52 agora em  2017. Em paralelo temos as edições da Série “A Sombra do Batman” com as histórias dos outros personagens do “BatUniverso”...


Esperamos que o bom trabalho da Panini dure muito mais.

As VÁRIAS edições especiais e minisséries

Logicamente não há como mencionar todas as minisséries e edições especiais que o Batman teve publicadas no Brasil. Foram muitas e com editoras diferentes. Mas podemos destacar algumas na linha do tempo abaixo:
Anos 80: “Ano Um”(1ª edição em Dezembro de 1989), “Batman - As Dez Noites da Besta”,” Batman - O Messias” , a quadrinização do primeiro filme de 1989 e na série Graphic Novel, na edição #02, temos a primeira publicação de “A Piada Mortal”, dentre outros...
 

Anos 90: “Asilo Arkham”, “Batman - Digital Justice”, “Os Melhores do Mundo”, os primeiros encontros com Drácula, Juiz Dredd, Predador, Aliens, Tarzan, Grendel (esses três últimos pela editora Mythos), as minisséries do Robin, “Dia das Bruxas” , “O Cavaleiro das Trevas”, “Batman Preto e Branco”, “O Longo Dia das Bruxas”,as quadrinizacões dos outros 3 filmes, “Batman Túnel do Tempo”, dentre outros(não esquecer que nessa época, em 1991, deu início á série “Um Conto de Batman”)...

Anos 2000: “Guerra ao Crime”(pintada por Alex Ross), “Batman Mangá” (Mythos), “Imagine Batman de Stan Lee”, “O Cavaleiro das Trevas 2”, “Superman & Batman – Gerações”(Opera Graphica), “Bruce Wayne: Fugitivo”, “Vitória Sombria”, a quadrinização de “Batman Begins”, “Ano 100”, “Grandes Astros Batman & Robin”, e as edições em capa dura “Clássicos DC Comics: Batman - Morte em Família” e “Coringa”, dentre MUITOS outros...


Em 2010: Na nova fase da DC, “Novos 52”, são lançadas  as séries mensais “Batman”, “A Sombra do Batman”, “Batman Eterno”, a coleção “Lendas do Cavaleiro das Trevas” encadernados com cada série contando com um artista diferente:  Alan Davis, Jim Aparo, Neal Adams e Marshall Rogers,  “Terra Um”, “Batman 66’”, “Batman Noel” e “Corporação Batman”, isso só para citar alguns...
A série mensal do Batman na fase Novos 52 se encerrou em Janeiro deste ano (2017). A nova fase “Renacimento” teve sua 1ª edição publicada em abril pela Panini.

Desde o início, Batman teve milhares de publicações no Brasil, em diversos formatos, de diversas editoras. São crossovers, livros de bolso, capas duras, encadernados, revistas baseadas nos videogames, livros de colorir, livros e revistas com reportagens sobre o personagem, revistas com miniaturas (Eaglemoss por exemplo), etc,etc E etc...
Com certeza, deve ter faltado aquela edição que você mais gostou ou eu devo ter me esquecido de alguma em especial.
Escrever um artigo com a trajetória nos quadrinhos de um personagem tão famoso e com tantos fãs pelo mundo todo não é tarefa fácil, mesmo para um Batmaníaco como eu.

TOP 10 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DO BATMAN

Escolher as melhores histórias em quadrinhos do Batman chega a ser “chover no molhado”, pois provavelmente não deve ser muito diferente de vários Top 10 já publicados.
Então pretendo utilizar apenas meus critérios de escolha. São todas histórias que já li e possuo as mesmas.
Começarei pelas “menções honrosas” que caso fosse um “Top 15” entrariam.
Sem ordem específica:
Guerra ao Crime: Escrito por Paul Dini e belamente ilustrado por Alex Ross. Resumidamente, uma linda arte e um roteiro atual e inteligente.
O Cavaleiro das Trevas 2: Mesmo não tendo atingido o sucesso da obra original, BTDKR2 merce estar nas menções honrosas. Claro, a arte deixa a desejar, os desenhos de Miller estão longe de seus melhores dias e o clima noir foi abandonado. Mas não podemos negar que a história diverte...
Advogado do Diabo: Com um roteiro interessante, Batman precisa correr atrás de provas para provar a inocência do Coringa em um crime que ele não cometeu...
Grandes Astros Batman e Robin: Embora seja odiada por muitos leitores, mostrou uma visão diferente do Homem Morcego. Com a arte de Jim Lee e roteiro de Frank Miller, tinha tudo para ser uma ótima história. Sim, todos estavam enganados, mas mantenho a opinião. Diverte no modo geral...
Finalizando as menções honrosas, Inimigos Públicos. Acredito que seja o melhor arco até hoje de uma parceria entre Batman e Superman. Bela arte, roteiro simples e direto e divertido...


Agora oficialmente partiremos para o Top 10.
Muitos podem discordar dizendo que nem merecia estar no Top 10, mas na humilde opinião deste que vos escreve, merece sim, devido à importância da saga... Estou falando de:

10º Lugar – A Queda do Morcego(1993)
Claro que esta foi uma série muito extensa que trouxe histórias desnecessárias, mas se considerarmos os principais pontos, torna-se um item obrigatório de qualquer fã do Homem Morcego.
Descobrimos quais são os limites do Batman, o que é necessário para destruir fisicamente e mentalmente uma lenda. Trata-se de uma história que conseguiu reunir diversos elementos do universo do personagem em uma única saga. Se a Morte do Superman foi impactante, a Queda do Morcego foi triste.
Vimos um homem no seu limite, tendo que dar tudo de si para derrotar vilões meia-boca. Vimos um Batman totalmente perturbado pela morte de Jason Todd. Vimos os vilões de Gotham se aproveitarem disso. O uniforme/armadura do Azrael na minha opinião ainda é um dos melhores uniformes de heróis de todos os tempos. Mesmo que Batman tenha se recuperado e reconquistado o manto do Batman, o ponto alto da história é quando Bane quebra sua coluna, fazendo com que uma lenda chegasse ao fundo do poço.
Vilões bem trabalhados e um ótimo clima de suspense que antecedeu a queda tornam esse arco uma das melhores histórias do Batman de todos os tempos.
Quer saber como fazer para ler a obra inteira?(se tiver paciência)
Tem que correr atrás de sebos, tanto para encontrar os formatinhos da Abril(Liga da Justiça e Batman # 1 a # 11, Batman – Volume 4 – # 1 a # 4, Super Powers # 32 e na minissérie em duas edições A espada de Azrael.
Também tem a edição encadernada do primeiro volume dessa saga que a Panini lançou em 2008. Outra opção é o material importado. Ou existem ainda sites onde se pode ler on line ou baixar os arquivos em PDF.



9º Lugar – Morte em Família(1988)
Sim, esta é a famosa história em que Jason Todd, o segundo Robin morre nas mãos do Coringa. Recentemente li em algum lugar que a história é supervalorizada e que não é tão boa assim. Claro, não merece entrar nas cinco primeiras posições, mas “supervalorizada”?”Não tão boa assim”???
Foi a primeira grande derrota na história do personagem. Estamos falando de um evento que definiu o personagem durante anos.  A decisão de matar ou não o personagem foi definida por 0800. Devemos chamar Morte em Família de, no mínimo, Histórica.
Sim, sabemos que Jason Todd voltou dos mortos e rendeu um bom (?) personagem como Capuz Vermelho, mas na época não sabiam que o personagem iria retornar. Estava morto e ponto final. Tim Drake era o novo Robin. Hoje em dia se considerarmos que ninguém permanece morto por muito tempo nas HQ’s, na época era definitivo. E claro que havieriam consequências no modo de agir do Batman. 
Mesmo que os fãs não gostassem do personagem, todos tem que admitir a importância dessa história. Afinal, Batman perde um filho.
Quer saber como fazer para ver o Coringa espancando o Robin com um pé de cabra???
Correndo em sebos procurando. Felizmente não se trata de uma missão tão impossível assim. No Brasil foi lançado em formatinho em DC Especial #01(1989), em uma minissérie em 3 edições em 2002(ambas pela Abril), e em uma edição Capa Dura Clássicos DC Comics: Batman - Morte em Família pela Panini em 2009.
Não bastasse também encontrar on line, a 11ª edição da coleção Eaglemoss em capa dura traz a história (Fevereiro 2016) numa capa belíssima, diga-se de passagem.


8º Lugar – O Messias (1988)
Talvez esta seja a primeira surpresa da lista. É uma das menos conhecidas desta lista, mas nem por isso deve ficar de fora. Após o sucesso de Cavaleiro das Trevas, foi uma das melhores histórias do personagem nesse estilo sério e sombrio.
A Queda do Morcego forçou os limites físicos do Batman e Morte em Família foi um duro golpe emocional. Mas O Messias levou Batman aos limites da razão. A tortura psicológica que Batman sofreu nas mãos do Diácono Blackfire quase o levou à completa loucura. E faltou muito pouco. Para aqueles que não conhecem a história, Batman é sequestrado e drogado por um líder religioso enquanto Gotham é deixada nas mãos de criminosos. O desgaste de Batman é tão evidente que quando ele consegue se libertar, sua primeira reação é fugir de Gotham. E nós como leitores concordamos com ele. Claro que sabemos que Batman retoma a cidade e derrota o vilão. A maneira como ele faz isso é perfeita.
O roteiro de Jim Starlin combina perfeitamente com a arte escura e seca de Bernie Wrightson. Motivo para estar no Top 10? É uma excelente história envolvente e com um roteiro e arte impecáveis.
Quer ver o Batman sendo torturado?
Sebos...Aqui no Brasil saiu em uma minissérie em 4 partes em 1989 e posteriormente na série Grandes Clássicos DC nº 11 em 2007.


7º Lugar – Um Conto de Batman – Shaman(1989)
Nos anos 90, a Editora Abril, devido o sucesso do personagem lançou a série em formato americano “Um Conto de Batman”. Eram diversas minisséries com artistas diferentes para contar as histórias do Batman em início de carreira. A primeira minissérie foi “Shaman”, em cinco partes que contava os primeiros dias do Batman no combate ao crime.
Com roteiro de Dennny O’Neil e arte de Ed Hannigan, a história mostra um Bruce Wayne que acredita estar pronto para dar início á sua luta contra o crime, após anos de treinamento pelo mundo. Mas ao perseguir um assassino ligado diretamente ao passado do jovem e seu treinamento, ele se envolve em um mistério repleto de misticismo e suspense.
A história até que é simples mas tem o mérito de propiciar aos leitores uma espécie de história paralela ao clássico “Ano Um”, pois se trata de uma história de origem, diretamente ligada ao clássico de Miller.
Leitura agradável. Arte limpa. Uma excelente história para abrir a série Um Conto de Batman.
Quer ler esse clássico? Para achar, é só se aventurar em sebos e achar com certa facilidade a minissérie original ou até mesmo as duas versões encadernadas tanto a da Abril lançada em 1992 quanto a da Panini relançada em 2014(embora o título tenha sido alterado/corrigido para “Xamã”).


6º Lugar – Vitória Sombria(1999)
Embora a história tenha sido lançada em 1999, apenas em 2003, foi publicada no Brasil. A Panini ainda dava os primeiros passos nas suas publicações. Prova disso é o formato “Álbum”, um pouco maior que os formatos americanos.
Com roteiro de Jeph Loeb e arte de Tim Sale(mesma dupla responsável por Homem Aranha Azul e Demolidor Amarelo), a história traz fatos diretamente posteriores á história “O Longo Dia das Bruxas”.
Pode ser considerada uma continuação bem sucedida da história anterior, com novos elementos como por exemplo o surgimento do primeiro Robin.
A dupla de artistas conseguiu o mesmo efeito e a mesma qualidade de história que a anterior. O clima Noir permanece e a história amarra as pouquíssimas pontas soltas de sua antecessora.
Não é possível dar mais detalhes sobre a história sem mencionar O Longo Dia das Bruxas. Acredito que ambos podem ser considerados uma única história. Claro que os roteiros são diferentes, com mistérios diferentes a serem solucionados, mas a qualidade na história e na arte se mantém nas duas obras. Ou seja, não leia Vitória Sombria sem ter lido antes O Longo Dia das Bruxas. Não irá prejudicar a leitura, mas seria bem mais apreciada. Darei maiores detalhes na 5ª posição do nosso ranking.
Agora, onde pode ser encontrada Vitória Sombria?
Conforme dito anteriormente, foi lançada em uma minissérie em 7 partes, mas não é tão fácil de ser encontrada. Mais fácil procurar nas livrarias as versões em capa duras lançadas em 2012 e em 2015.


5º Lugar – O Longo Dia das Bruxas(1996)
Claro que os cinco primeiros lugares nesse Top 10 tinham que ser obras-primas do Homem Morcego. Mesmo Vitória Sombria tendo sido tão boa quanto sua antecessora, não há como negar que O Longo Dia das Bruxas merece uma posição á frente.
Foi solicitada autorização de Frank Miller para usar os mesmos personagens que ele criou em Batman Ano Um, como as famílias mafiosas Maroni e Falcone.
Trata-se de um mistério entre as duas famílias. Um assassino serial está eliminando os membros das duas famílias e para evitar uma guerra de gangues, Batman precisa encontrar o culpado. Na minissérie original em 8 partes, cada edição trazia como tema central um feriado nos E.U.A., como por exemplo Ano Novo, Natal ou Dia da Independência. Nesses feriados, o assassino atacava. O misterioso assassino foi chamado de Feriado (sem criatividade, mas adequado).
Nesta obra, vemos a trindade ser formada por Harvey Dent, Batman e Comissário Gordon. E isso serviu de inspiração para a união dos três também no filme de Nolan, Batman O Cavaleiro das Trevas.
Também vemos como Harvey Dent sofreu a desfiguração de seu rosto(numa versão mais fiel ás HQ’s do que no filme).
Trata-se da perfeita mistura entre Batman, O Poderoso Chefão , Mistério e clima Noir.
Para encontrar, é meio difícil achar em sebos qualquer versão, principalmente a minissérie original. Lançados em edições definitivas em 2008 e 2015. Mas nas edições 6 e 7 da coleção de Graphic Novels da Eaglemoss foi relançada.



4º Lugar - Asilo Arkham(1989)
Em 1990, foi publicada no Brasil, com história escrita por Grant Morrison e com arte de Dave McKean. Morrison viria a ser mais conhecido no futuro pelo seu trabalho nas histórias da LJA (1996) e Batman(2006) que antecederam os Novos 52. E McKean já fazia as mais belas capas de Sandman.  A trama não poderia ser mais simples: O Asilo é dominado pelos internos, que fazem como reféns seus funcionários e exigem a presença de Batman.
Durante a noite, o Homem Morcego precisa passar por uma espécie de jogo de caçada (em que ele é a presa) com insanos criminosos como Crocodilo e Espantalho.
Trata-se de uma história com terror e suspense psicológico. A arte de McKean combina perfeitamente tanto com a história como o ambiente. Quem conhece o artista, sabe que não existe ninguém melhor para fazer o interior de um hospício, em que as imagens não fazem muito sentido. É como se olhássemos dentro de um lugar que nos causa desconforto e desorientação. Para quem nunca leu a história, saiba que essa é a famosa edição em que Coringa aperta a bunda do Batman. Sem dar grandes detalhes sobre a trama e seu desfecho, vale mencionar a participação de Coringa e Duas Caras na trama. Ambos foram muito bem trabalhados. Enfim, por mais que se trate de uma história do Batman, o verdadeiro protagonista da história é o próprio Asilo Arkham...
Coringa apertando a bunda do Batman? Onde eu acho isso???
É possível achar em sebos. Foram lançados dois encadernados. Um pela Abril (1990) e outro pela Panini(2003). Mas em 2013 foi lançada a edição definitiva. Uma dica: prefira os encadernados originais. Para a edição definitiva, a arte foi modificada (balões com as letras antes desenhadas agora foram digitalizadas).


Estamos chegando aos três primeiros lugares da nossa lista. Quem é fã do personagem, talvez já saiba quais são...

3º Lugar - A Piada Mortal(1988)
Na lista é um dos que menos possui páginas. História curta. Um Graphic Novel.
Aliás,  um dos melhores Graphic Novels já publicados. Escrita por Alan Moore, um dos maiores gênios da indústria dos quadrinhos (sem exagero) e com uma arte limpa e cores perfeitas, Brian Bolland. Existem muitos fatores para que essa história esteja nesta lista, e talvez o 3º lugar seja considerado por muitos como injusto.
O que torna esta história tão especial a ponto de ser muito melhor que Asilo Arkham ou até mesmo Morte em Família, mesmo tendo menos páginas? Em apenas 52 páginas tudo acontece: Batgirl leva um tiro e fica paralítica(talvez estuprada, mas isso ficou vago), Gordon é sequestrado e torturado pelo Coringa, que além de ter um dos embates mais memoráveis com Batman; tem sua origem finalmente revelada (não importa o que a DC diga) e tem um dos finais mais estranhos, surpreendentes e perturbadores de todas as histórias do Batman que já li (e não foram poucas)...
Muitos dizem que é o tipo de história para ser lida mais de uma vez, pois existem detalhes escondidos no meio da história que precisam ser relidos. Isso se deve ao roteiro ácido de Moore, mas acho que principalmente se deve á paleta de cores de Bolland. Ele dá destaque nas cores em alguns momentos que só nos damos conta em uma segunda ou terceira lida na história. O interessante é que mesmo sendo considerada como uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos, o próprio autor revela não ter gostado do resultado. Perfeccionista ao extremo? Talvez.  Afinal estamos falando de quem escreveu Watchmen, Monstro do Pântano, V de Vingança, Do Inferno e Liga Extraordinária.
Como fazer para saber o final dessa história?
On line você acha...Aliás acho que todos nesta lista é possível ler ou baixar da internet. Questão de gosto, porque eu sempre vou preferir o impresso. Pode ser encontrado em sebos (com sorte). No Brasil foi publicado pela primeira vez na série Graphic Novel(#05), em uma edição especial em 1999(ambas da editora Abril), em uma edição especial da Opera Graphica(muito raro)em 2005 ou as 3 edições definitivas, em 2009,2011 e 2015.
Diferente de Asilo Arkham, este vale a pena a edição definitiva. Afinal, Bolland recoloriu a história. E em capa dura é mais fácil de achar também.


2º Lugar – Ano Um (1987)

Se Ano Um está em segundo lugar, todos sabem qual é o primeiro.
Mas vale ressaltar que foi tarefa difícil escolher o primeiro e segundo lugar. O ganhador da “medalha de prata” é Batman Ano Um de 1987.
Se você é fã de Batman, este item é obrigatório na sua coleção.
Se você é colecionador de quadrinhos em geral, também é obrigatório. 
Logo após Frank Miller revolucionar o mercado com The Dark Knight Returns, após a saga Crise nas Infinitas Terras, Miller foi contratado para recontar a origem do Batman. E ele fez isso com uma qualidade excepcional. Em paralelo, também contou o primeiro ano do comissário Gordon em Gotham. História policial num clima noir que por si só é perfeita por contar a origem definitiva do Batman com elementos que são usados até hoje e foram incorporadas á mitologia do personagem. Basicamente o enredo é o seguinte: Bruce Wayne retorna á Gotham após percorrer o mundo treinando sua mente e seu corpo para se tornar o vigilante combatente do crime. Ao mesmo tempo, Jim Gordom se muda para a cidade, a fim de se tornar o novo detetive/tenente do departamento de polícia. É narrado através de um ano (bem separados, cronologicamente impecáveis) no decorrer da história, as primeiras missões de Batman e a chegada de Gordon numa cidade cheia de policiais corruptos.
Roteiro simples e direto, que não se dá ao trabalho de momentos grandiosos ou nem mesmo um vilão terrível. É uma luta contra o crime travada tanto por Batman quanto por Gordon.
Aliás, os motivos que o levaram a escolher trabalhar em Gotham como Tenente, suas dificuldades em se adaptar ao esquema corrupto de seus colegas policiais e o conflito pessoal quando trai sua esposa grávida são muito bem explorados. Vimos um Bruce Wayne confiante, impulsivo e arrogante que quase morre em sua primeira missão. 
Nos deparamos com um Batman estrategista e apesar de todas as suas habilidades, vimos um ser humano comum. Miller consegue humanizar um ícone, quase um deus nos quadrinhos e o tornar mais crível. O roteiro foi tão bem elaborado que influenciou o filme Batman Begins, de Christopher Nolan.
Claro que o roteiro é fenomenal, mas também é necessário salientar que os desenhos de David Mazzuchelli combinam com o texto.
Se fosse outro desenhista o resultado seria diferente? Quem sabe...
Onde encontrar? Em sebos é possível . No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1987, em formatinho, na 2ª série da Abril(#01 ao #04), em duas edições encadernadas, também da editora Abril, em 1989(lombada quadrada) e 2002(canoa). Em 2011 foi lançada em capa dura pela Panini e na série Grandes Clássicos DC, em 2005, na edição #03.


Agora o primeiro lugar...muitos discutem se a Piada Mortal ou Ano Um não poderiam ocupar esse lugar. Mas na minha opinião, ainda é a melhor história do Batman.
Sim, estou falando de...

1º Lugar – Batman O Cavaleiro das Trevas(1986)

Originalmente com o título “The Dark Knight Returns”, Frank Miller nos apresenta um futuro em que Batman se aposenta e vê sua cidade ser tomada por uma gangue conhecida como “Mutantes”. Decide retomar o manto do morcego e o combate ao crime, enfrentando o retorno de Duas Caras e Coringa. Também adota como novo Robin, a garota Carrie Kelley. Na última parte da minissérie, enfrenta o Homem de Aço, no combate mais emblemático dos dois personagens em toda a história.
Qual é a importância dessa história? Foi nessa minissérie que Batman voltou a ser um ícone da nona arte. O personagem retornou ás suas origens, agindo de modo mais violento e sombrio.
Foi o divisor de águas das histórias do Batman. Definiu para todos os próximos roteiristas de HQ’s como o personagem seria dali em diante.
Seu confronto com Duas Caras logo na edição #01, é tão revelador para ambos os personagens que logo de cara sabemos qual será o teor da história. Logo temos a noção que estamos lendo a história definitiva do personagem. E isso na primeira edição. Na segunda edição, já temos o confronto com o líder da gangue mutante, em que Batman finalmente se coloca no lugar de um homem velho e passa a agir com mais estratégia e menos esforço físico. Na terceira, o confronto final com o Coringa, culminando na morte do vilão (se suicidando para incriminar Batman).
E na última parte da minissérie, o melhor combate nos quadrinhos contra Superman.
Se em Ano Um, Miller contou a origem definitiva do personagem, em TDKR ele contou a história definitiva do personagem. No mínimo, esta pode ser considerada como a última história do personagem. Um final perfeito para o Batman.
Miller escreveu e desenhou a história que transformou os quadrinhos. Após o sucesso da publicação, os personagens passaram a ter tons mais sérios, com histórias mais envolventes e relevantes. Ou seja, O Cavaleiro das Trevas é uma história tão importante para o Batman quanto para a indústria em quadrinhos em geral.
Pressionado pela DC a escrever uma continuação, Miller escreve 15 anos depois a continuação, Cavaleiro das Trevas 2, que mesmo eu tendo citado como “Menção Honrosa” no começo, é extremamente inferior á seu antecessor. Talvez isso tenha sido prejudicial, pois comparações com TDK 1 foram inevitáveis. Cores berrantes, desenhos caricatos, roteiro mediano. Talvez se fosse encarado como uma história da LJA, seria mínimo divertida.
E agora no meio de 2016, a editora Panini anunciou que irá publicar Cavaleiro das Trevas III. Resta saber como vai ser...
Mas voltando á minissérie original, onde pode ser encontrada?
No Brasil, foi publicada pela primeira vez em uma minissérie em 4 edições em formato americano em 1987, em uma segunda edição da minissérie em 1997 e depois em duas partes em 2002, todas pela editora Abril, duas edições encadernadas em 1988 e 1989 e a Panini lançou as edições definitivas em 2006(capa brochura)2007,2011,2014,2015 e agora em 2016(os quatro últimos em capa dura contendo as duas minisséries).
Relativamente fácil de ser encontrado em livrarias ou na internet. Caso queira a minissérie original, com sorte encontra (a um preço maior) em sebos.
  

Pois é...esse foi meu Top 10 das histórias do Batman. São itens essenciais na coleção de qualquer fã do Batman. Totalmente recomendados. Ótima leitura.

Um breve resumo da trajetória do Batman no cinema

Claro que eu não poderia deixar de falar na trajetória do Homem Morcego nos cinemas.
Porém farei um breve resumo neste aspecto.
Antes de falar dos filmes, gostaria de relembrar que as animações do Batman estão entre as melhores da DC (e animações de super-heróis de um modo geral).

O seriado “Batman – The Animated Series” é excelente, pois além da qualidade, é bem fiel ás HQ’s, coisa que nós fãs apreciamos muito. Também gostaria de relembrar o seriado dos anos 60, que por mais que tenha deturpado o personagem, foi muito importante para popularizar o personagem (melhor episódio: Feira da Fruta). Também vale destacar “Batman Dead End”, filme independente curto que mostra o Batman como ele realmente é nas HQ’s enfrentando o Coringa e o Predador (vale a pena conferir). Vamos então ás adaptações principais:


The Batman (1943)
The Batman foi um seriado de 15 episódios lançado em 1943 pela Columbia Pictures. O filme era protagonizado por Lewis Wilson(Batman)e Douglas Croft J(Robin). Três fatos importantes a destacar: 1-Foi a primeira aparição/adaptação do personagem em carne e osso, 2-Nessa série surgiu "A Caverna do Morcego" e a entrada do relógio de pêndulo, 3-William Austin(Alfred) definiu o visual do personagem que permanece até hoje.

Batman & Robin (1949)
Batman & Robin foi outro seriados de 15 capítulos lançado em 1949 pela Columbia Pictures.
Interpretado por Robert Lowery(Batman) e Johnny Duncan(Robbin).

Batman (1966)
Batman (também conhecido como Batman: The Movie) é uma adaptação para o cinema, baseado na série dos anos 60 e contava com Adam West como Batman e todo o resto do elenco do seriado. 


Batman (1989)
Dirigido por Tim Burton e protagonizado por Michael Keaton foi um tremendo sucesso nos cinemas.  Jack Nicholson interpretou Coringa, e sua atuação é considerada (ao lado de Ledger) como uma das melhores interpretações do personagem. Recebeu cerca de 50 milhões de dólares em cache e direitos a uma parcela dos lucros de bilheteria. Ganhou o Oscar de melhor direção de arte.

Batman Returns (1992)
Novamente dirigido por Burton e protagonizado por Keaton, o filme contava com Pinguim(Danny DeVito) e Mulher-Gato(Michelle Pfeiffer).
Mesmo tendo sido um sucesso, arrecadou menos que o filme de 1989.o filme recebeu críticas devido à violência e conotação sexual.

Batman Forever (1995)
Devido so fato de Batman Returns ter rendido menos que Batman, a Warner Bros teve a “brilhante” idéia de mudar a direção e contratou Joel Schumacher para dirigir o terceiro filme da franquia(Burton permaneceu como produtor). Keaton não gostou do roteiro do filme e decidiu abandonar a capa e máscara do personagem, dando lugar para Val Kilmer interpretar o Homem Morcego.
Dessa vez, houve a introdução de Robin, interpretado por Chris O'Donnell. Nesse filme, Jim Carrey interpretou Charada e Tommy Lee Jones interpretou Duas-Caras.
O filme faturou 350 milhões de dólares em todo o mundo. Claro que os fãs do personagem criticaram bastante o excesso de luzes e cores do filme. Sem contar que as atuações eram sofríveis. Foi indicado aos Oscar’s de melhor som, melhores efeitos sonoros e melhor fotografia. Mas se os fãs do Batman não gostaram desse filme, é porque ainda não tinham assisitido Batman & Robin...


Batman & Robin (1997)
O filme novamente foi dirigido por Joel Schumacher, mas Val Kilmer não reprisou seu papel como Batman(sorte dele) e foi substituído por George Clooney. Chris O'Donnell reprisou seu papel como Robin. Para o elenco foram incluídos Arnold Schwarzenegger (Senhor Gelo), Uma Thurman (Hera Venenosa), e Alicia Silverstone (Batgirl) .
Tudo o que foi aplicado de exagero em Batman Forever foi duplicado em Batman & Robin. Insinuações Homossexuais, Batmóvel parecendo um carro alegórico, Alícia Silverstone atuando como uma porta, George Clooney mais á vontade como Bruce Wayne do que como Batman, Batcartão de crédito (sério!), e Bane usando braços com enchimento são apenas alguns exemplos do que fizeram com que Batman & Robin fosse considerado um dos piores filmes de super-heróis de todos os tempos, recebendo inclusive inúmeras indicações ao Framboesa de Ouro. Mesmo sendo bem sucedido nas bilheterias, é o filme que menos havia lucrado nos cinemas, enterrando a franquia do Batman nos cinemas durante 8 anos.

Batman Begins(2005)
Nesse novo reinício á franquia do personagem nos cinemas, o diretor/roteirista Christopher Nolan e David S. Goyer fizeram um filme em um tom mais sombrio e realista, diferente de seus antecessores. Christian Bale foi o protagonista(Batman) e Liam Neeson interpretou um dos vilões no filme(Ra's al Ghul) ao lado de Cillian Murphy (Espantalho). Katie Holmes também atuou, como o interesse romântico de Bruce Wayne (Rachel Dawes). Um novo Batmóvel e um novo traje foram criados para o filme. Batman Begins foi bem recebido pela crítica e arrecadou 370 milhões dólares em todo o mundo e foi indicado ao Oscar de Melhor Fotografia. Era o início da chamada “Trilogia Nolan”.


The Dark Knight (2008)
Christopher Nolan novamente dirigiu o filme e seu irmão Jonathan foi o co-roteirista. Christian Bale reprisa o papel como Batman. Heath Ledger faz o papel de Coringa (considerado um dos melhores Coringas de todos os tempos) e Aaron Eckhart faz o papel de Harvey Dent(Duas Caras). Ledger morreu de overdose após tomar seu remédio para dormir.
The Dark Knight se tornou o segundo filme do Batman a ganhar mais de US$ 500 milhões em bilheteria, e o primeiro filme do Batman a faturar mais de um bilhão de dólares no mundo inteiro. Foi indicado a oito categorias no Oscar e ganhou dois: Melhor Edição de Som e o Oscar póstumo para Heath Ledger como melhor ator secundário.

The Dark Knight Rises (2012)
Pela terceira vez, Nolan dirige o filme e The Dark Knight Rises é o último filme de Batman no cinema até então. Voltam a reprisar seus papéis Christian Bale(Batman), Michael Caine(Alfred), Gary Oldman(Gordon), Cillian Murphy(Espantalho), e Morgan Freeman(Lucius Fox). Estrearam Anne Hathaway(Selina kyle) e Tom Hardy(Bane).
O filme se inspirou na saga Knightfall(A Queda do Morcego-1993) e Terra de Ninguém(1999).



Batman v Superman: Dawn of Justice(2016)
O personagem retornou no filme que é uma continuação direta dos eventos de “O Homem de Aço” de 2013. É interpretado por Ben Affleck. No filme, reprisando seu papel de Superman/Clark Kent, está Henry Cavill. No mesmo filme temos as participações de Gal Gadot (Mulher Maravilha), Jesse Eisenberg (Lex Luthor), Ezra Miller (Flash) e Jason Momoa (Aquaman). O objetivo é abrir caminho para o filme da Liga da Justiça que em breve estreará.
O filme tem dividido opiniões, mas a principal crítica ao filme é que ele se estende demais e o evento principal, que seria o combate entre Superman e Batman dura muito pouco.

Pois bem, amigos... Esse foi meu “Dossiê Batman”. Espero que tenham gostado. Eu gostei de escrever e relembrar fatos importantes do meu ídolo.

Até a próxima...


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