Mulher Maravilha, muito além de um filme





Nossa Isa, você vai fazer um texto tanto tempo depois do filme ser lançado? 

Me deixa!!!
(Brincadeira!!!)

A verdade é que pensei muito se faria esse texto ou não. Muitos outros lugares também falaram sobre o que vou falar (se quiser mais sobre esse assunto, eu indico o vídeo do Omelete), mas resolvi dar a MINHA visão.




Sempre fui Nerd, li muitos mais livros que todos os meus colegas de sala, sempre amei histórias em quadrinhos, mangas e animes. Nunca curti Barbie e outras coisas assim, só aprendi o nome das Spice Girls porque fui obrigada. Não que essas coisas fossem erradas, só não faziam parte de quem eu era.
Eu podia te dizer os nomes de todos os Power Rangers, podia recitar uma longa lista dos melhores Pokemons e falar sobre o universo Batman. Aliás eu era (sou ainda) tão fã do Homem Morcego, que eu passava noites em claro (escondida dos meus pais) assistindo a reprise da série de 1966, aquela com Adam West e Cesar Romero.
Cresci com milhares de referências do mundo Nerd, referencias poderosas, referencias corajosas, referências sobre nunca desistir, referências sobre como superar obstáculos. . . referencias masculinas.


(Smallville)

Sim, tinha a Vampira, Tempestade e Jean Grey de X-Men, tinha a Princesa Leia, tinha a Batgirl e etc. Mas não era mesma coisa, elas eram importantes, muito importantes, mas não eram as grandes protagonistas. Eu queria me ver na tela. Eu não queria ser apenas a “Ranger Rosa”, eu nem gostava de rosa na época. Eu também queria brincar de salvar o mundo, sem precisar fazer parte de uma equipe ou apenas ajudar o “grande herói”.
Por que meu primo podia ser o Batman e eu tinha que ser a “assistente” dele?
Não lembro quando, mas um dia minha mãe (sempre minha mãe) me mostrou a série da Mulher Maravilha. Era uma série antiga que ela assistia quando nova, eu já tinha visto a Mulher Maravilha participando de outras animações, mas nunca a tinha visto como principal.
Cara, ela era demais!

(Lynda Carter, As Novas Aventuras da Mulher Maravilha - 1979)

Obvio que era uma produção até um pouco ingênua, feita para uma outra época, mas para quem assistia uma seria de 1966, onde, em um dos episódios, Coringa e Batman disputam uma praia num campeonato de surf, “As Novas Aventuras da Mulher Maravilha” eram incríveis.
Não vou dizer que foi um divisor de águas na minha vida, porque pra mim foi Batman/Coringa, mas foi muito importante. Era muito legal ver uma MULHER sendo a principal, salvando o dia, chutando traseiros. . .




Eu tenho um texto aqui sobre a “História das Histórias em Quadrinhos”, nele eu falei que o Superman ganhou seu primeiro filme em 1977 e só QUARENTA ANOS DEPOIS a Mulher Maravilha tem um filme. Eles tem apenas uma diferença de quatro anos de criação, Superman chegou nas bancas em 1939 e Mulher Maravilha em 1942, mas a produções cinematográficas tem uma distância de 40 anos.
Então, dá para entender a emoção das Garotas Nerds em ver esse filme?




Mulher Maravilha representa não só uma boa história, mas uma quebra de paradigmas. Gal Gadot (Diana) é linda, mas não era a escolha obvia, ela foi rejeitada pelos fãs, mas na primeira cena que apareceu em Batman Vs Superman, calou a boca de todo mundo.
Aliás, pra mim, não gostei de Batman Vs Superman, melhor coisa desse filme é a Mulher Maravilha!
Além de que a Patty Jenkins (a diretora do filme) foi a primeira mulher a dirigir um filme de super herói com orçamento de mais de U$100 milhões protagonizado por uma mulher.


(Patty Jenkins e Gal Gador no set de Mulher Maravilha)

E uma coisa muito importante: o FILME NÃO SEXUALIZA NENHUMA PERSONAGEM!
Sabe o quanto isso é raro? Duvida de mim? Pois bem, te desafio a ir no google e digitar “super heroínas” e contar quantas imagens não sexualizadas você acha. Agora faça o contrário, digite “super heróis”, notou a diferença??
A dificuldade da Diana de entender o mundo em que ele se encontra, é a dificuldade que muitas mulheres passam muitas vezes, por que não podemos fazer o que queremos? Por que temos que nos comportar desse jeito? Por que somos obrigadas a fazer coisas que não queremos?
Nós também temos direitos a liberdade de fazermos o que quisermos!




Sabiam que na história do Brasil, umas das pessoas mais importantes do Exército Brasileiro foi Maria Quitéria, que chegou a receber uma medalha das mãos de D. Pedro I e é comparada a Joanna D’Arc? Alguém já ouviu falar dela?




Mulher Maravilha é um filme excelente, com roteiro coerente e grande produção. Com certeza é o melhor filme da DC, Gal Gadot e Patty Jenkins entenderam perfeitamente a personagem e seu universo.
Não vou ficar falando muito da história, se quiserem uma resenha legal, peçam para o Léo, ele é o nosso expert nisso, mas um resumo é:
Diana tem um ideal, ela quer cumprir seu destino e parte para o mundo dos homens para ajuda-los, mesmo que ás vezes eles não mereçam.
A melhor sequência do filme é quando ela desiste de tentar seguir qualquer regra e resolve fazer sozinha, o que os homens a sua volta não conseguiram fazer.




Basicamente o filme é um grande Flashback e você não precisa ter assistido os outros da DC para entende-lo, talvez nem faça muita diferença para os próximos também.
Pra mim, uma coisa que tornou tudo ainda mais incrível, foi que eu levei a minha filha para assistir. Ela tem apenas quatro anos, mas também sonha em ser uma super heroína. É lindo ver meninas, algumas tão pequenas, tendo um exemplo desse jeito, isso é Representatividade no seu modo mais puro.




Se você ainda não assistiu, por Deus, Odin, Zeus, ou qualquer outro deus que você escolher, assista!
Até por Ares, por que não?

;) 



Mulher Maravilha, muito além de um filme Mulher Maravilha, muito além de um filme Reviewed by Isa Feijo on junho 21, 2017 Rating: 5

2 comentários

  1. O texto ficou ótimo, Isa...
    Pena que a falta de tempo e excesso de trabalho não me permitiu escrever sobre o filme... Mas você mandou Muito!
    Faço minhas as suas palavras... Descreveu a importância do filme de maneira magnífica... Parabéns!

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